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26 de Julho de 2017
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    Ministério de Comércio Exterior e os Inúteis

    O governo já está com quase 40 ministérios. Agora somos, também, o país dos ministérios. Criados sem critério, para beneficiar os derrotados e enxotados pelo povo nas eleições. Afinal, todos os camaradas também são gente. Merecem respeito.

    Pegando o gancho num artigo do fantástico colunista Senhor Carlos Heitor Cony, de há algumas semanas, queremos expandir o conceito de bem estar dessa gente.

    Assim, nós também sugerimos, como ele fez, a criação de mais alguns ministérios. Na nossa área de transportes e logística bem colocou a criação do ministério dos trilhos e dormentes. De quilhas e guindastes portuários. De viadutos e pontes. Assim, podemos acabar com o imenso desemprego que assola o país. A despeito do que diz o governo. Pelo menos aqueles para pessoas menos capacitadas, e que não têm espaço no mercado. Que o povo não quer e enxotou nas eleições.

    Expandindo a excelente idéia, do renomado colunista, sugerimos alguns. Como o ministério dos presidentes aposentados. Com a finalidade de lhes dar bem estar, conforto, mais mordomias, etc. Afinal, nós sempre concordamos em pagar gastos supérfluos. Ops, gastos governamentais.

    Também um ministério dos candidatos à presidência da república. Com o intuito de dar-lhes o apoio necessário à candidatura. Adicional ao que recebem dos partidos e doações. Nem todo mundo as faz. Assim, com dinheiro do governo, isso seria democratizado. Embora compulsoriamente. Todos os brasileiros se transformariam em doadores dos candidatos. Oficialmente, é claro. E o que é melhor, de todos, sem discriminação. Nada melhor que a justiça para aplacar nossos sentimentos negativos.

    Estamos pensando também num ministério para garagens e veículos usados pelos executivos do Planalto e pelos ministros. Afinal, eles têm que se preocupar com seus afazeres e com o país, e não com coisas menores e burocráticas.

    Poderíamos, com um pouco de criatividade, dar uma ajuda muito maior ao país. Sugerindo mais ministérios inúteis, para facilitar e melhorar a vida dessas pessoas. Que, estranhamente, os eleitores renegaram nas urnas. Uma flagrante e incompreensível injustiça (sic).

    Enquanto isso, vimos há mais de uma década pedindo Ministério do Comércio Exterior - Mincex. Ou um ministério do comércio exterior e da logística - Mincelog. E o governo jamais cogitou algo assim.

    No Brasil, segundo estudos da FGV, de há alguns anos, temos mais de 300 órgãos lidando com comércio exterior. E cerca de uma dezena de ministérios com ingerência nele. Para um país que quer se desenvolver, não é a fórmula correta.


    Como se sabe, uma das melhores formas de desenvolvimento do país é o comércio exterior. E isso é bom para todos. É só analisar vários países. Podemos, mais uma vez, citar a China. É impossível deixar de falar nela em qualquer circunstância. São tantos motivos, que já estamos começando a pensar que também somos Made in China. Estamos procurando a etiqueta. É só analisar os números deles e ver o que aconteceu de 1979 para ca e o que aconteceu conosco.

    Portanto, ninguém pode ter dúvidas sobre a capacidade do comércio exterior mudar a economia de um país. E continuamos sem tradição na área. Nós apenas fazemos. Mas sem saber direito porque e como. Vamos na onda. E no momento a onda é desastrosa. Mas, como é onda, lá estamos nós. A China precisa de commodities, e ai estamos nós para ajudar. Com isso, novamente, a partir de 2009, após sair disso em 1974, voltamos a ser exportadores de commodities, que superaram os manufaturados.

    É um risco à nossa pretensão de grande nação, continuando a ser apenas uma nação grande.

    Brasil, acorde. Está na hora. Já dormimos em demasia. Não precisamos de mais do que 20 ministérios. Ninguém pode levar a sério um conjunto de ministérios que tenha o que tem, e nele falte o Mincex.

    Samir Keedi,

    Economista, professor da Aduaneiras e universitário, autor de vários livros em comércio exterior e membro da CCI-Paris na revisão do Incoterms 2010.

    e-mail: samir@aduaneiras.com.br

    *Texto originalmente publicado em no jornal DCI de 07/04 /2011.

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